segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pensamento do dia.


Jonas K. (11:50:23 AM) diz:

" Hj vou almoçar algo que faça a vida valer a pena" :D

domingo, 28 de setembro de 2008

Seja bem-vindo de volta, apetite!


Sei que já falei muito isso, mas é uma verdade: recuperação é uma montanha russa.

Não faço um post desde abril e posso me explicar. Não, eu não abandonei o meu blogzinho, digamos que sai por aí procurando por mim e agora estou de volta.

A recuperação tem fases que não passam despercebidas e uma delas foi viver a euforia do reencontro com os sabores dos alimentos.

E foi assim que aprendi que depois de uma grande euforia a queda pode ser grande e feia, como uma montanha russa, depois da subida desci com emoção, eu tive um break down.

O stress da recuperação, a baixa auto-estima (pelas limitações) me puxando o tempo inteiro e a volta para um ambiente de trabalho não muito favorável resultou em um grande caos.

Essa foi uma fase de grande tristeza express curada por uma consequente fase de mudança de vida. E foi assim que optei pelo linear, sem grandes alegrias eufóricas ou grandes tristezas, me deixando abalar menos pela longa recuperação e seus prazos furados.

Para resumir o tempo sem posts, a batalha da recuperação continua, fiz uma quarta cirurgia para fechar o corte que abriu (e continua aberto mesmo depois, great né? paciência? nunca tive tanta.), altos e baixos de emoções e as limitações alimentares de sempre só com um pouquinho mais de ousadia.

Recuei. Um pouco da vida, um pouco das mesas e dos grandes banquetes e, principalmente, dos sonhos culinários aqui postados anteiormente. Recuei com o objetivo de me recompor, de ganhar energia e recuperar meu apetite, não só aquele de comer mas o apetite para a vida.

Depois do break down perdi o peso que havia ganhado no pós-inferno-hospitalar e quase voltei ao ponto inaceitável de partida, perdi energia. E foi assim que entendi que a alegria constante e gigantesca nem sempre é a verdadeira. Também aprendi que é fundamental tirar um pouco da pressão, de vez em quando, permitindo pequenos momentos de tristeza e indignação, mas jamais a perda de apetite! (jamais!)

Por um bom tempo achei que continuar blogando sobre meus sonhos de comida e não realizá-los, e pior, sem data para, estava ficando repetitivo e alimentando em mim uma auto-dózinha (péssiiiimo).

Nesse tempo de reestruturação pessoal eu passei a aceitar um pouco mais as minhas limitações pós-trauma e me admirar um pouquinho pela força de passar por tudo isso e de aceitar que ainda não acabou. (Não quer dizer que não tive minhas crises, claro que tive! é normal, poxa! e super aceitável, ta?)

E foi assim que, aos poucos, fui recuperando meu apetite para a vida bem como o meu peso e com isso descobri maneiras de aproveitar um pouco mais o que a mesa tem a oferecer.

O dia que marcou a fase "transformação completa" foi quando descobri que conseguia comer um pão francês. Simples assim. Faz pouquíssimo tempo e lembro com todos os detalhes da sensação maravilhosa que me ocupou.

É incrível a adaptação do corpo humano! Com um grande corte dentro da boca ainda aberto e um segundo cenário que ainda não estou pronta para expor, encontrei um jeitinho especial e sem dor para tornar esse período bem mais alegre.

Pão francês é um alimento divino e muito básico, fiquei muitos meses sem poder nem ver e agora como com alegria! Como ainda não posso morder o alimento pela frente, corto o pãozinho com minhas mãos e vou saboreando, demora muito mais, claro, às vezes dá preguiça mas sou persistente e vale cada pedacinho.

O pão francês marcou muito e depois dele fiquei super ousada (mas com moderação e me cuidando, viu doutor?!), abri um pouco mais meu cardápio de coisas possíveis, claro que sempre com um jeitinho especial. Voltei a comer algumas coisas crocantes que antes eram banidas logo de cara. Impressionante como sentimos falta de texturas no nosso cardápio, faz uma enorme diferença.

E foi com essa ousadia e jeitinho que consegui voltar para o meu peso. :-)

E não demorou muito para ter de volta meu apetite, estava apenas esperando me acostumar com ele, sem euforias, para voltar a postar as maravilhas culinárias que encontrei por aí.

Tenho muitas fotos de coisas deliciosas para postar.

Is good to be back!

Seja bem-vinda nova vida, seja bem-vindo apetite!

Boa noite.

domingo, 27 de abril de 2008

Resoluções de sabor.

Passar por dificuldades desperta na gente uma vontade de ser melhor e pedir por uma chance de fazer diferente, um grande clima de resoluções de vida, como as do fim do ano.

Depois do que passei e ainda estou vivendo, foi inevitável a confecção de uma série de listinhas de resoluções. No hospital temos bastante tempo para pensar nas coisas, fiz listinhas para tudo: vida pessoal, saúde, trabalho, amigos, amor e é claro que também para a comida.

Pensei em uma série de itens que preciso saborear assim que puder, quando a dieta mole não for mais um assunto freqüente nesse blog e na minha vida.

Dividi as minhas resoluções do sabor em três áreas.

Começo pelos eventos gastronômicos da cidade (São Paulo) que eu sempre quis conferir mas por motivos diversos e que não consigo lembrar, nunca fui. Lacunas vergonhosas para uma paulistana que leva comida tão a sério como eu. Listei apenas três, não queremos abraçar o mundo de uma só vez, não é?

Festa da Nossa Sra. Achiropita. Sabor de fé, de ação social e de comida farta. Festas tradicionais como essa me fascinam. Todo ano assisto no noticiário aquelas pessoas sorrindo, cantando e passando com aqueles pratos de papel alumínio cheios de macarrão e, todo ano, tenho vontade de me juntar a eles. Uma celebração muito linda regada a carboidratos, muito especial. No site (http://www.achiropita.org.br/) encontrei um dado que não conhecia, uma das atrações especiais da festa é o queijo provolone com dois metros de comprimento e mais ou menos 100 quilos, fiquei emocionada.

Feirinha da Liberdade. Preciiiisooo. Esse grande buffet a céu aberto deve ser mais do que divertido. Passear por uma rua e a cada poucos passos poder saborear Yakissobas, tempuras, guiozas, sushis e outras delícias, para mim é um evento imperdível, preciiiisooo. Confesso que o que me atrai na feirinha são os salgados, não sou uma apreciadora dos doces japoneses.

Mercadão. Esse deixei por último por que é realmente uma vergonha. Mas com muita coragem assumo e deixo registrado: eu nunca fui. O que me desperta nesse evento não é somente o sanduíche de mortadela gigante, é tudo o que esse ícone da cidade oferece. Quero provar o Mercadão além dos seus clichês, todas as suas delícias, os petiscos, as frutas, os queeeeeijos, quero deixar que ele me surpreenda.

A segunda resolução da minha lista foi inspirada no livro que estou lendo, O homem que comeu de tudo, escrito por Jeffrey Steingarten (genial!). Ele começa a sua “aventura” enfrentando suas repulsas no mundo da culinária mundial. Para isso, ele se apega a uma teoria comprovada de que, após provar 10 vezes um prato (ele conta com detalhes isso e é claro que eu não contarei aqui), você é capaz de acabar gostando dele. E foi isso que ele fez, foram poucos os casos que não conseguiu reverter a situação.

Isso é o que eu chamo de resolução: transpor suas barreiras.

Para começar, fiz uma lista grande das coisas que não gosto de comer. Coisas que já tentei e não consegui, mas talvez nunca tenha tentado dez vezes. Para essa tarefa listei apenas três das minhas maiores aversões culinárias:

Bacalhau. Eu sou filha de uma portuguesa que cozinha muito e nego minhas raízes por não gostar de Bacalhau. É uma vergonha (outra). Na minha casa esse é um prato quase dia-a-dia, conheço pessoas que adorariam morar aqui somente por este fato. Lembro que quando íamos para a casa na praia, o prato rápido que minha mãe fazia era bacalhau cozido com legumes e banhado em muito azeite e, para Heloisa (me!), um sanduíche ou uma lasanha da Sadia. Affeeee. Preciso enfrentar essa minha porção filha desnaturada e aproveitar o que a vida me proporcionou, Bacalhau à moda portuguesa, de verdade.

Mariscos e seus amigos. Esse item também consta na lista de repulsas do livro, nela Jeffrey narra com genialidade seu medo pelos cantos obscuros que existem além daquela carne, dentro da concha. Ao ler esse trecho conectamos! Ele falou comigo (profundo isso?). Me fez pensar sobre essa minha repulsa e questionar se ela existe devido aos cantos escondidos e misteriosos da conchinha. Seria isso? Seria a sua aparência de cérebro de um pequeno ser monstruoso do mar? Ou seria sua textura duvidosa? Motivos e teorias de lado, preciso ao menos tentar perder esse medo, esses amiguinhos aparecem em diversos pratos que aprecio. Mas, enquanto o dia de ticar a lista não chega, conchinha para mim só a de abraço na hora de dormir.

Coelho. Esse é um medo de infância. Minha mãe tinha um tio que criava coelhos no quintal da casa dele. Eu adorava brincar com eles. Além de querer levá-los para a casa, ainda era uma fase que eu associava aquelas coisas fofas com uma outra mais fofa ainda, a do coelho que me trazia chocolate embrulhado em papel de presente. Uma relação de amor tinha sido estabelecida ali. Certo dia, cheguei na casa do tio e não encontrei mais os coelhos que vi crescer, descobri que eles tinham virado o almoço, detalhe: descobri isso depois de comer. Um filme de horror para uma criança cheia de amor. Desde então, coelho nunca mais, mas agora estou disposta a tentar provar esse prato novamente.

Por último nas minhas resoluções do sabor: mais lacunas. Coisas que adoraria provar mas nunca fiz por medo e/ou por acabar optando por outros pratos do cardápio no momento de pedir, escolhas mais seguras. Novamente listei apenas três:

Cordeiro. Você já passeou pelo shopping ou folheou a Vejinha e se viu babando naquela foto linda de anúncio de uma costela de cordeiro? Eu já, várias vezes. Aquilo me tira do sério. Já me disseram que não é tão saborosa quanto parece, mas eu preciso provar aquilo. Talvez minha fantasia tenha um sabor bem mais delicioso do que a realidade, mas é um risco a correr.

Vieiras. Jamie Oliver me catequizou e eu sairei em busca da descoberta das vieiras. Um mundo aparentemente bem mais delicioso. Elas são lindas e brilhantes e é o único caso que eu não ligo de ter saído de uma conchinha, não até eu prová-las.

Perdiz. Chique, perdiz. Tenho certeza que o que me manteve longe delas foi a aparência na hora de servir. Muitos amigos me dizem que é uma delícia, mas toda vez que vou provar acabo amarelando. Eu preciso preencher essa lacuna que chega a afetar minha vida social. Esse item não me provoca tanta vontade quanto os dois primeiros mas age no meu medo de coisas de aparências que não me agradam mas que podem surpreender no sabor.

Depois de todas essas lacunas e repulsas, concluo que eu não sou chique como achava que era. Chega de revelações por hoje.

Apesar disso, as minhas resoluções/revelações me deixaram animada e com força para uma recuperação mais rápida. Mal posso esperar para andar por aí ticando minhas listinhas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Comida, um presente.

Domingo é um dia movimentado com visitas para quem está em recuperação. O ritual é uma delícia, cheio de carinho, histórias, cafézinho, às vezes flores e presentes.

Ontem não foi diferente.

Minha tia, uma pessoa que ninguém entende o por que ela não abre uma confeitaria (ou seria uma doceria? confeitaria, não vejo as pessoas usarem essa palavra), me trouxe um lindo presente: uma grande e linda torta holandesa, feita por ela, é claro.

Uma pausa: De acordo com o meu pensamento do mood food (veja nos posts anteriores), a torta que ganhei, além de ser feita com gostosuras, também tem carinho de família e pensamentos positivos para uma rápida recuperação. Sabor mais do que especial. Hummmmmm...

É de longe a melhor torta holandesa que já comi. Um presente memorável.

Como todas as mulheres da família a minha tia também é exagerada, me presenteou com uma torta deliciosa e enorme. Meu tipo de comida, farta.

Olha que linda a fatiazinha (foto), parece um bolinho de aniversário.


Não sei como ela consegue, o creme é delicioso, docinho (mas não muito, no ponto) e leve, aerado.

A cobertura é uma camada de felicidade, às vezes penso que é um mousse (um mousse ou uma mousse? don’t care, é delicioso), às vezes concluo que é uma trufa de chocolate.

A massa é fininha e molhadinha, na primeira garfada você já percebe que é feito com biscoitos, para mim, essa massa é a combinação perfeita para receber o creminho que define que essa torta é gênio!

E o toque final: rodeada de bolachas Calipso (aquela banda quase estragou meu apreço por essas delícias. Quase! O sabor deve sempre prevalecer), adooooooro.

Acho um máximo pessoas que presenteiam com comida. Quando é preparado por você, mostra o quanto gosta da pessoa. É muito especial.

Quando você vai visitar um amigo que está doente uma das opções é levar uma caixa de chocolates, nos filmes, as boas vindas a um novo vizinho são seladas por uma torta de maçã ou uma cesta de muffins. Isso me faz questionar: por que não ganhamos comida em nossos aniversários?

Eu já ganhei lá lá lá lá :-P

Foi uma vez e nunca mais esquecerei. Tenho uma tia (outra) que faz as melhores empadinhas do mundo. Não tem jeito, toda vez que provo uma empadinha em um lugar novo eu lembro da Tia Dê, até agora nenhuma me fez mudar de opinião.

Alguns anos atrás encontrei a Tia Dê e passei horas elogiando as empadinhas que ela faz. Acho que exagerei, falei tanto que no meu aniversário daquele ano ela me presenteou com 100 empadinhas, isso mesmo, 100. Não pressionei nem dei indiretas, eu juro, eu acho. Foi um presente muito especial.

Eram 50 empadinhas de palmito e 50 de frango, minhas favoritas.

A massa que ela faz é inexplicável, quando provo empadinhas por aí a massa nunca está em um ponto fantástico como as das empadinhas da Tia Dê. Ou estão muito oleosas ou desmancham muito fácil. A massa feita por ela permite que você dê uma mordida com vontade sem que tudo se desmanche, perfeita!

Empadinha é demais, só não ganham das coxinhas no meu Top Comidinhas. Parecem pequenas panelinhas comestíveis e assadas que guardam uma gostosura dentro.

Comida, um grande presente.

Aí vai uma dica, uma indiretinha, talvez... meu aniversário é só em agosto, mas antes disso temos muito o que comemorar, não?

domingo, 20 de abril de 2008

Criança outra vez.

Quando falei que nasci de novo não contava que ia ser tão fiel a essa expressão. Baby steps para quase tudo.

Comer é uma delas. Primeiro foram os líquidos e agora as coisas moles, amassadas, desfiadas e fáceis de comer. Como um bebê (que fofa eu).


Tudo com sabor de infância, sabor de cuidado de mãe. Tem sido uma grande experiência e
uma das partes mais agradáveis da recuperação.

Ando comendo coisas de crian
ça, mas o meu apetite continua como sempre, o de uma pessoa grande e faminta que gasta boa parte de seu tempo sonhando com comida.

O mundo de refeições de uma criança tem suas (muitas) delícias, co
isas que não sei por que abandonamos com o tempo. A dietinha é uma grande desculpa para eu comer o quanto quiser em papinhas da Nestlé. hummmm.

Gosto das de frutas apenas, as sopinhas não me pegam, com suas combina
ções muito estranhas elas não fazem nem cócegas no meu apetite. Mas é compreensível, são feitas para bebês e não para mulheres de 25 anos que estão em busca do sabor.

As papinhas doces. Adooooro. Por que a gente não continua
comendo coisas assim depois que cresce? Será que temos vergonha de comer direto daquele potinho fofo? Eu não sei a causa que me manteve distante dessas delícias mas fico feliz por ter voltado para elas. A titia promete não mais abandoná-los, potinhos lindos.

Minhas papinhas (foto), aposto que despertará vontade em
você.


Na minha dietinha não entram somente as papinhas da Nestlé. Minha mãe faz um prato lindo com banana amassada no microondas, açúcar e canela. Não fico um dia sem. Delicioso! Ela também acrescenta de vez em quando no cardápio creme de abacate. Minha mãe arrasa!

A experiência de ser criança outra vez nessa recuperação não está somente nas saborosas papinhas e coisas nutritivas. Essa semana, depois de muito tempo, fui ao Mc e pedi um lanche feliz.

Para as crianças, ir a uma lanchonete é um evento e para mim não foi diferente. Fiz questão do brinquedinho e tudo, o evento quase completo. Quase por que compramos do drive-thru.


Comi um Mc Molinho, o item mais adequado para minha dietinha, um cheeseburguer. Um e meio, na verdade. Me trouxe felicidade. Para mim, cheeseburguer tem o mesmo efeito que um chocolate, traz carinho e conforto.


Já levou uma criança ao Mc? Ela demora horas para comer uma caixinha de nuggets enquanto você, adulto formado com apetite voraz, em um piscar de olhos, come dois sanduíches, alguns nuggets da caixinha da criancinha (para ajudar, claro), batatinhas e um sundae com calda extra de caramelo (talvez eu tenha descrito um Mc pedido meu em dias de boa forma, talvez, you’ll never know). E foi assim, como uma criança, que comi meu cheeseburguer e meio, muito devagar e feliz por estar ali. Detalhe, comi com garfo e faca (é a única maneira que consigo no momento, sem graça, né?), isso explica o drive-thru.

A lentidão que preciso aplicar na hora da refeição vai diminuindo meu apetite e assim acabo comendo menos que o habitual. Segredo de toda a dieta para perder peso. Frustrante para uma pessoa que normalmente pede o cheeseburguer como acompanhamento do lanche de verdade mas, baby steps, eu voltarei à forma em breve. Apesar disso, meu evento foi muito bacana, me trouxe felicidade e um brinquedo.

Uma pausa: cheeseburguer do Mc não é suficiente para ticar o item Cheeseburguer da minha lista do Top 5. Não conta, é café-com-leite.


Nem tudo precisa ser de criança ao pé da letra, podemos fazer uma releitura do prato como fazem os chefs de cozinha. Ontem foi assim. Crianças adoram ir ao Habib’s assim como apreciam o Mc, o Burger King, o Bob’s e até mesmo o Girafas (esse preciso conferir um dia, o cheeseburguer com o que parece ser um omelete e bacon na propaganda me deixam com vontade. Se não for ovo naquilo, por favor, não estraguem minha fantasia), é o mesmo tipo de evento.

Eu adoro culinária árabe, mas a minha criança dessa recuperação não teve muita voz nesse episódio, eu não poderia encarar um Habib’s nesse momento frágil que me encontro. Peço desculpas aos apreciadores da rede e à minha criança interior. Releitura é o que chamei ontem, fazer um pedido de um restaurante árabe sério.

Minha releitura do evento Habib’s: uma esfiha de verdade de carne e outra de queijo (foto). Aproveitei a ocasião e encontrei meu velho amigo, o queijo derretido (again, o cheeseburger do Mc não conta) nunca fiquei tão longe assim dele. Queeeeeijo. Poderia ficar repetindo isso o dia todo: queeeeeeeeeeeeijo.

Apesar de delivery e nenhum brinquedo, para mim foi um grande evento, fiel às sensações de uma criança no Habib’s. Releitura com sucesso. Criança grande feliz. :-)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mood Food.

Podem me chamar de louca mas acredito (e muita gente concorda comigo) que o mood da pessoa afeta a comida na hora de cozinhar.

Braveza, ansiedade, tristeza, coisas ruins em geral são transmitidas para os indefesos ingredientes. Coitadinha da comida, não tem chance de ganhar um saborzinho com tanta energia ruim assim descarregada em cima dela. Acho um crime! Uma maldade!

Comida de mãe tem um sabor especial por que elas fazem com amor e as pessoas deviam fazer o mesmo. (oooops, me empolguei. Fiquei brega também, né? Vou me recompor).

Estava conversando com um amigo hoje e lembramos de uma certa “tia do salgado” que conhecemos (algumas pessoas saberão de quem estou falando. Vamos preservar o nome dela, please. Não quero que ela peca o negócio). Eu nunca provei o que a tia vende por que ela está sempre triste. É o tipo de pessoa que quando você pergunta educadamente “tudo bem?” ela responde “ah filha, tudo péssimo” e aí começa a destrinchar um problema, impressionante como ela tem um para cada dia do ano.

Muitos concordam que o salgado da tia tem tristeza, e eu alerto: isso pode passar para você.

É sério, nunca ouvi ninguém falar bem de nenhum item da cestinha dela. Assistia as pessoas comprando e comendo para preencher uma fominha da tarde, mas nada saboreado, apreciado ou elogiado. Apenas engolido. Isso prova minha teoria, tem tristeza naquilo!

Eu estendo o pensamento da mood food para a hora de servir a comida também. A tudo que cerca a comida, na verdade.

Na padaria em frente à minha casa tem uma garçonete que apelidei de “a pessoa que espalha o ódio na Terra”. Peço só o básico, um pão com manteiga, quando é ela que está servindo.

Tudo começa com o andar. Lento e sem vontade. A expressão é de muita raiva (sempre fico tentando adivinhar por que). Ela vira para você com nenhuma sutileza ou princípio de simpatia e diz “já pediu?”, tem vezes que escuto até um rosnar. Você corre para pedir logo e se ver livre da situação. Ela traz o prato. Se vier errado não reclame, não sei o que é capaz de fazer. A comida não tem o mesmo sabor quando ela está servindo (é sério, não é perseguição).

Acima, a descrição de um café-da-manhã que deveria ser longo e leve mas fica aterrorizado quando sou atendida pela garçonete do Chucky. O pior de tudo é que ela está grávida. Isso se reproduz! Affeee.

Mas existe salvação para isso. O mesmo pensamento serve para o contrário. Felicidade, bom-humor e bons pensamentos também afetam a comida e a tornam mais gostosa. Com sabor especial.

A melhor paella que já comi na vida foi feita ao som de James Taylor. Aquele senhorzinho com carinha de paz e amor e suas canções embaladinhas deixaram o jantar harmonioso e impressionantemente saboroso. Foi incrível!

Depois do problema de saúde e a recuperação, tudo para mim tem um gosto diferente e agora estou levando muito a sério a good mood food. Em todos os aspectos, cozinhar, saborear, servir. Na verdade estou tentando aplicar o good mood para quase tudo.


Façam um teste. Me levem a um restaurante e comprovem que não vou mais reclamar do lugar de sentar. Prometo.

Trying to be a better person. :-)

domingo, 13 de abril de 2008

Gnochi é molinho, não é?

Pode, não pode?
Sei lá, mas eu fiz.


Gnochi ou Nhoque? Não importa, adooooro. É uma das minhas massas favoritas e, olhem só, cabe na minha dieti
nha (Acho. Se não, agora já foi hihi).

Estava com muita vontade de cozinhar. Chamei a Mayara, minha sobrinha que estuda gastronomia, para fazer comigo.


O páragrafo acima merece uma explicação rápida: tenho 3 sobrinhos, a Mayara é a mais velha, ela tem 19 anos. Eu fui tia muuuuuuuu
uuuito cedo. Temos apenas 6 anos de diferença, eu sou muito jovem. Pronto, explicado. ;-)

Voltando, chamei a Má para me ajudar a fazer o almoço, começamos um pouco tarde, umas 11:30h, mas deu tudo certo e foi muito divertido.

Peguei a receita n
o Cyber Cook (http://cybercook.uol.com.br/mostra_receita.php?codigo=5653), do Chef Allan (adooooro) e, só para passar uma certa confiança, ligamos para minha tia e pedimos também a receita e algumas dicas dela.

Fizemos um mix.


Ficar muito tempo em pé é uma coisa
que eu ainda não consigo fazer, eu adoro mexer com massa mas hoje a parte de abrir e cortar ficou por conta da Má. Fiquei no banco de reserva.

Um passo de cada vez, não é mesmo?

Nossa
, olha eu que metida: “hoje a parte de abrir...” Nunca fez gnochi antes, acorda Heloisa!

Bom, fazer a massa (essa foi uma das partes que eu me encarreguei) foi demais, fiquei sentadinha, amassando e mexendo.
(Foto 1: Preparando. Foto 2: Gnochi lindo, depois de sair da panela)

A casa estava cheia, muito especial, há muito tempo não recepcionávamos um almoço em um domingo, um almoço de família. Tudo fica mais gostoso quando pessoas queridas estão por perto. Mesmo que elas ficam opinando na forma que você está cozinhando, não é Mãe querida? (hehe)

Conforme as pessoas foram chegando e a hora passando, a gente foi colocando algumas para ajudar. Ninguém mandou entrar na cozinha ou chegar antes do prato ficar pronto. :-P

Depois de algumas (muitas) horinhas e todo mundo com muita fome, o gnochi ficou pronto e delicioso! O molho estava levemente apimentado (ooops, fui eu) e a massa no ponto certo. Na mesa queijo, muito queeeeeeijo.

(Foto: Meu prato, que lindo)


Foi muito divertido.

Dietinha que nada... hoje eu fiz uma refeição. E em família. Especial.

(Feliz e grata pelo dia de hoje).